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sábado, 20 de outubro de 2012

Mitologias: o pincel dos deuses nas mãos do homem



O homem nasce sem qualquer tipo de bagagem intelectual, e, portanto, em seus primeiros anos de vida absorve com maior facilidade milhares de informações e conceitos, criando em si o que podemos chamar de intelecto humano.
A sentença acima aborda, grossíssimo modo, sobre as concepções piagetianas do conhecimento, as quais são muito importantes na construção que será feita doravante.
A partir do momento em que aceitamos que o homem nasce sem uma bagagem intelectual, passamos a reconhecer o fato de que toda a construção humana é incutida na mente do indivíduo desde tenra idade, fazendo com que este se integre de forma efetiva ao coletivo, ou seja, à sociedade. Esta perpetuação das construções humanas (saberes) desde muito cedo esteve intimamente ligada à experiência religiosa – e aqui compete discutirmos especificamente sobre a experiência mitológica.
Já dizia Mircea Eliade que a primeira experiência própria que o homem tem com seu criador é ao contemplar a infinitude do céu.
Ora: quando o homem olha para uma montanha no horizonte, embora longínqua, ele sabe que se empregar todos os seus esforços pode subi-la; que ao olhar para uma ilha no além-mar, por mais difícil que seja, ele pode alcançá-la.
No entanto... quando este mesmo homem depara-se com o céu sob sua cabeça, ele sabe: jamais alcançá-lo-ei. O céu era o limite para este homem primitivo, que ainda não gozava dos privilégios de um foguete movido a hidrogênio.
Ao deparar-se com o céu o homem então percebe que existe algo maior do que ele próprio, e que este algo maior está além daquele céu. É a força que move o sol de todas as manhãs; a força que faz com que as estrelas brilhem à noite, e que transforma a lua em pequenas frações com o passar dos dias, só para trazê-la em todo o seu esplendor dias depois.
Cria-se, portanto, a concepção do deus criador – o deus primeiro: o grande arquiteto que está acima de tudo e todos.
Mas com o tempo este homem percebe que este deus é muito distante dele: é um deus tão excelso em sua essência que parece não estar presente na vida do homem. Portanto, o homem concebe um deus mais próximo a ele – um deus abaixo do arquiteto primeiro, mas que ainda assim é imensamente poderoso e, o mais importante: está mais próximo do homem.
Portanto, quando o homem depara-se com fenômenos aos quais percebe que não consegue explicar, igualmente idealiza um artífice divino que seja o responsável por tais fenômenos. E estes fenômenos podem ser divididos em dois subgrupos: os supernaturais exteriores e os naturais interiores.
Os supernaturais exteriores concernem àqueles fenômenos que existem mesmo sem a presença do homem: a chuva; o raio; o arco-íris; a neve; o nascer do sol; os eclipses, etc. Já os naturais interiores concernem aos fenômenos que só o homem pode perceber: nascimento e morte; o tempo; o bem e o mal (já polarizados mas externalizados nas ações humanas), etc.
O homem toma o pincel das mãos do grande artífice (o deus primeiro) e desenha, a seu modo, outros deuses que compartilhem de suas alegrias e angústias: deuses da sexualidade; deuses da guerra; deuses da vida e da morte; deuses da justiça; deuses da caça e da pesca; deuses da sabedoria; etc.
Muito das criações mitológicas foram registradas por suas respectivas culturas, e uma obra fantástica que certamente contempla uma grande parte delas é a de Thomas Bulfinch, estudioso que dedicou grande parte de sua vida aos estudos na área de mitologia.
O resultado vocês conferem em sua magna opus chamada “O Livro de Ouro da Mitologia”.


Thomas Bulfinch - O Livro de Ouro da Mitologia: 


domingo, 14 de outubro de 2012

Mitos de criação: os vikings.




Embora os vikings possuíssem um sistema de escrita (o rúnico), não produziram literatura escrita, mas sim uma vasta tradição oral.[1] As fontes escritas existentes sobre a mitologia nórdica referem-se às compilações feitas entre os séculos VIII e XIII, já sob influência cristã (uma vez que, ao colonizar a Islândia, os próprios islandeses incumbiram-se da tarefa de registrar os principais mitos e tradições).[2] No entanto, uma das fontes mais completas sobre a mitologia nórdica concerne ao trabalho do poeta e historiador islandês Snorri Sturluson, que compilara todos os mitos nórdicos de que tivera conhecimento em seu Edda em prosa[3], um manual de poesia escáldica em três partes cujo prefácio, o Gylfaginning, é uma introdução à panteologia nórdica.[4]
Sobre a tradição mitológica dos vikings, Wilkinson[5] afirma que:


Os grandes mitos nórdicos tratam dos grandes temas: a criação do cosmo, as batalhas e amores dos deuses e o fim do mundo. Os nórdicos imaginaram diversas raças de seres mitológicos – de gigantes a anões – que habitam mundos diferentes, paralelos ao nosso, o qual é conhecido como Midgard. A cultura das divindades é bélica e heroica, e o mundo mítico e real se encontram em Valhalla, o grande salão da divindade maior, Odin, onde as almas dos heróis humanos mortos recebem seu galardão celeste.


O Gylfaginning apresenta a cosmogonia presente nos poemas do Edda (Vafthrúdhnismál Grimnismál e Voluspá)[6], contando como o mundo surgira a partir do vazio primordial – chamado Ginnungagap. Aos poucos então foram surgindo dois reinos nas extremidades desse vazio: Muspelheim, região do calor e do fogo localizada ao sul; e Niflheim, região do frio e do gelo, localizada ao norte.[7] Do encontro entre os ares de Muspelheim e Niflheim surge o primeiro ser, um gigante de gelo chamado Ymir, do qual surgiram outros gigantes e a vaca Audhumla.[8] Do leite de Audhumla os gigantes alimentaram-se, e com o tempo mais gigantes surgiram (como Buri, Bor, Bestla e Bolthorn), sendo que do relacionamento entre Bor e Bestla sugiram três filhos: Odin, Vili e Ve.[9]
O mito conta que os três irmãos mataram Ymir e construíram o mundo a partir do seu corpo – sendo que Midgard concernia à morada dos homens, e Asgard à morada dos deuses (com todos os mundos sendo sustentados pela árvore Yggdrassil, axis mundi).[10] O casal primordial fora criado por Odin, sendo Askr o primeiro homem e Embla a primeira mulher (sendo ambos criados a partir de árvores).[11]
Os deuses eram então divididos em diferentes classes: os Aesir (deuses celestes, representados por Odin, Vili e Ve) e os Vanir (divindades da Terra, representados por Njord e seus filhos Freyr e Freyja).[12]
A forma de adoração destes deuses em geral estava associada a sacrifícios rituais por enforcamento, além de saques e pilhagens durante a experiência religiosa do berserkr (furor assassino e de invulnerabilidade chamado de “pele de urso”)[13]; quanto ao culto destes deuses, sabe-se que Odin gozava de popularidade somente entre os jarls (nobreza nórdica), sendo que entre o estrato dos kalrs (homens livres) o deus mais popular era Thor.[14]
Acreditava-se que Odin vivia num salão ostentoso chamado Valhalla (ou “salão dos mortos em batalha”), no qual recebia as almas dos guerreiros nórdicos mortos em batalhas, recompensando-os com presentes e honrarias.[15] Era aqui também que os guerreiros banqueteavam-se com carne de javali e com o hidromel servido pelas valquírias, além de treinarem para o evento escatológico chamado Ragnarök.[16]
Segundo a escatologia nórdica o fim do mundo estava ligado às ações do deus metamorfo Loki (pertencente à categoria dos deuses trapaceiros)[17], que em uma de suas malfeitorias causara a morte do deus Balder, filho de Odin; destarte, somado a esse feito, a própria árvore Yggdrassil teria sua folhagem devorada pelos cervos Dáin, Dvalin, Dúneyr e Durathrór, com sua casca em processo acelerado de apodrecimento e a raiz sendo roída pela serpente Nidhogg.[18] Durante este processo, Loki – até então aprisionado desde a morte de Balder –, libertar-se-ia de seus tormentos e convocaria todas as forças contra os Aesir: junto de si traria seu filho Fenrir, um lobo gigante; a serpente Jörmungand; a deusa Hel, além dos gigantes do fogo e do gelo.[19]
Wilkinson [20] apresenta as consequências do embate final:


A luta será cruel e não haverá vencedores. Bem e mal serão destruídos. Por fim, só restará da população do universo uma enorme montanha de cadáveres. Os únicos sobreviventes serão o gigante do fogo Surt, além de um casal de humanos e uns poucos animais que tiverem conseguido se ocultar entre os galhos da árvore do mundo, Yggdrassil. Surt fará dos cadáveres uma grande fogueira para ter certeza de não haver sobreviventes entre eles, eliminando de vez do universo todos os monstros e espécies de demônios e elfos. O fogo destruidor seguirá queimando por anos a fio e a Terra afundará no mar.


Após a consumação do fim deste mundo, um novo mundo surgiria, no qual Balder seria o novo senhor de um universo sem a nódoa do mal.[21]


 REFERÊNCIAS

  
ELIADE, Mircea; COULIANO, Ioan Petru. Dicionário de religiões. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
  
WILKINSON, Philip. Mitos & lendas: origens e significados. São Paulo: Martins Fontes, 2010.



[1] WILKINSON, Philip. Mitos & lendas: origens e significados. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 89.
[2] Id.
[3] Id.
[4] ELIADE, Mircea; COULIANO, Ioan Petru. Dicionário de religiões. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 153
[5] WILKINSON, loc. cit.
[6] ELIADE, loc. cit.
[7] WILKINSON, Philip. Mitos & lendas: origens e significados. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 90.
[8] Id.
[9] Id.
[10] ELIADE, Mircea; COULIANO, Ioan Petru. Dicionário de religiões. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 154.
[11] Id.
[12] WILKINSON, op. cit., 2010, p. 91.
[13] ELIADE, op. cit., 2003, p. 157.
[14] Id.
[15] WILKINSON, op. cit., 2010, p. 99.
[16] WILKINSON, Philip. Mitos & lendas: origens e significados. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 99.
[17] ELIADE, Mircea; COULIANO, Ioan Petru. Dicionário de religiões. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 155.
[18] Ibid., 2003, p. 155-156.
[19] Id.
[20] WILKINSON, op. cit., 2010, p. 98.
[21] Ibid., 2010, p. 99.



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Entre o bem e o mal: a demonização do deus Seth



Os antigos egípcios alimentavam a crença de que o mundo era composto por diversos deuses (politeísmo), sendo que estes estavam intimamente relacionados com as mais diversas práticas sociais da cultura egípcia: logo, todas as estruturas sociais estavam amparadas num forte senso religioso, que inclusive embasava o comportamento e as leis no Antigo Egito.
Nas variedades dos mitos de criação egípcios, encontramos a distinção entre deuses de primeira, segunda e terceira ordem, ou seja: deuses primordiais (criadores do céu e da terra), deuses secundários (em geral associados às forças da natureza e seus elementos, ou mesmo aos astros) e deuses terciários – cujas funções variam entre auxiliar os homens e mesmo vigia-los para que estes não vão contra a vontade dos deuses (a lei pregada na Maat, por exemplo).
E é entre todos os mais de setecentos deuses egípcios até hoje conhecidos que encontramos a figura do deus Seth – que é aquele que possui, talvez, um dos históricos mais conturbados.
Desde seu surgimento até a sua integração ao mundo egípcio, Seth passa por posições inicialmente favoráveis até posições em que passa a ser concebido como o próprio receptáculo do mal – sendo o objetivo deste estudo demonstrar a evolução da personagem Seth na mitologia egípcia no decorrer da história deste povo.
Filho de Nut (deusa do céu) e Geb (deus da terra), conta-se que Seth (“Setekh”, “Setesh”, “Suty” ou também “Sutekh”) teria rasgado o ventre de sua própria mãe ao nascer – dando assim a tônica no tocante à sua personalidade, deveras, violenta. Adorado como o deus das tempestades, do deserto e dos estrangeiros, sabe-se que durante o processo de sua construção tornou-se também o deus da escuridão, do caos e da hostilidade.
Tendo seu culto concentrado na região do Alto Egito (especificamente em Naqada/Ombos), é de suma importância ressaltar que no período pré-dinástico Seth era tido como um deus essencialmente benévolo, pois segundo a crença primitiva ele auxiliava o deus Rá na luta contra a serpente Apófis. Destarte, os adeptos ao seu culto provinham dos mais altos estratos da sociedade egípcia, o que demonstra que o deus não possuía uma posição subalterna aos olhos da sociedade egípcia.
Com a evolução da personagem no panteão dos deuses egípcios, sabe-se que Seth passara a antagonista no relato religioso devido ao conflito de sucessão entre ele e Hórus. Antes, no entanto, compete descrever de forma breve o início deste conflito mitológico dentro do panteão dos deuses.
Sendo filhos de Nut e Geb, os deuses Osíris, Ísis, Néftis e Seth eram, portanto, irmãos. Quando do plano de Seth para dar cabo à vida de Osíris – visando ocupar a posição que pertencia ao irmão –, sabe-se que da consumação da morte de Osíris em diante Seth passa a carregar a imagem do “usurpador” ante os demais deuses. Com a morte do pai, Hórus – o herdeiro legítimo – reclama o trono que era seu por direito, mas encontra uma feroz resistência por parte de Seth, que passa a travar uma batalha sem precedentes contra seu sobrinho.
Quando Seth por fim consegue ser contido pelos demais deuses e julgado (segunda a tradição mais popular), Seth é condenado a carregar a barca do deus Rá em suas costas por toda a eternidade, para que o deus do Sol pudesse largar dos remos da barca e enfrentar a serpente Apófis.
E é a partir deste conflito que envolve traição (a conspiração contra o próprio irmão), vingança (o embate de Hórus contra o tio usurpador) e condenação que Seth passa a ter a sua imagem demonizada (lato sensu), tornando-se um deus essencialmente mal a partir do Terceiro Período Intermediário (1070-712 a.C.).
Sua própria representação artística reflete muito de sua essência caótica: Seth aparece na maioria das representações como um ser antropozoomorfo, misto de homem com animais como cachorro, crocodilo, porco, asno, escorpião, hipopótamo e mesmo o aardvark - este um animal que se distribui por todas as planícies e savanas do sul da África, sendo também conhecido como “porco-da-terra”. Quanto aos animais, devemos lembrar que o crocodilo, o escorpião e o hipopótamo eram animais muito temidos pelos egípcios – e ao ser associado a estes animais, o deus passava a representar uma divindade essencialmente caótica e perigosa.


domingo, 19 de agosto de 2012

Controvérsias na construção da narrativa bíblica: da Torá à Vulgata de São Jerônimo




A construção das Sagradas Escrituras tem uma história muito controversa, repleta de manipulações teológicas (em prol de determinados objetivos políticos) por parte da Igreja.
Com a Torah hebraica sendo traduzida em Alexandria no século III a.C. para o grego – passando então a ser conhecida como Septuaginta (LXX) ou mesmo “a Versão dos Setenta” –, e, num segundo momento, sendo admirada no judaísmo helenístico (depois severamente corrigida e por fim rejeitada na Palestina), é traduzida para o latim (tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos) por São Jerônimo sob ordens do papa Dâmaso – numa árdua tarefa que levaria cerca de 17 anos.
O fato é que desde o advento do Concílio de Nicéia a 325, sob o jugo do imperador Constantino Magno, muito da real narrativa bíblica fora alterada com o passar do tempo. Mesmo na sua tradução pelo já citado São Jerônimo, erros crassos acabaram sendo incorporados como parte da narrativa original, concedendo novas nuances à interpretação teológica.
Isto para não mencionar o caso dos livros apócrifos, ou seja, dos livros que não são considerados oficiais pela tradição cristã.
Sabendo da grande dificuldade em encontrar os textos originais na íntegra, realizei uma árdua pesquisa em busca tanto da Torá quanto da Septuaginta e da Vulgata; mas por fim eis aqui todos os textos no Diabo de Deus.
Espero que seja de alguma ajuda.
Um abraço!

Torá Interlinear (Hebraico & Inglês):



A Versão dos Setenta – Septuaginta (LXX):



Vulgata Latina de São Jerônimo:



O sagrado e o profano na ótica de Mircea Eliade



Poucos autores conseguiram a façanha de escrever uma história tão cirúrgica no (vasto) campo da história das religiões quanto o mestre Mircea Eliade.
O romeno – que já publicou diversos estudos no supramencionado campo historiográfico – tem em “O sagrado e o profano: a essência das religiões”, talvez, uma das suas maiores contribuições ao campo. Trabalhando o diálogo entre o sagrado e o profano, Eliade busca no diálogo entre o binário explicitar a relação presente entre ambos nas mais diversas culturas religiosas.
Nas palavras do autor: “(...) Manifestando o sagrado, um objeto qualquer se torna outra coisa, e, contudo, continua a ser ele mesmo, porque continua a participar do seu meio cósmico envolvente. Uma pedra sagrada nem por isso é menos uma pedra; aparentemente (com maior exatidão: de um ponto de vista profano) nada a distingue de todas as demais pedras. Para aqueles a cujos olhos uma pedra se revela sagrada, a sua realidade imediata transmuda-se numa realidade sobrenatural. Por outros termos, para aqueles que têm uma experiência religiosa, toda a natureza é suscetível de revelar-se como sacralidade cósmica. O Cosmos na sua totalidade pode tornar-se uma hierofania”.
De leitura instigante e recheado de informações fulcrais ao estudo das religiões, “O sagrado e o profano” é leitura obrigatória a todos que desejam enriquecer seus conhecimentos no campo.

O sagrado e o profano: a essência das religiões:


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Alcorão

Já postei a Bíblia Sagrada (Antigo e Novo Testamento) em pdf aqui no blog, e agora posto o Alcorão, o livro sagrado do Islã.
Espero que aproveitem!

O Alcorão (versão traduzida para a Língua Portuguesa):





Marcos Históricos da Igreja Católica

Desde que tornara-se a religião oficial do Império por meio do Édito de Tassalônica, promulgado pelo imperador Teodósio a 380, o Cristianismo gradativamente fora arraigando sua essência nos costumes e tradições, passando de uma mera vertente teológica derivada do judaísmo à grande instituição político-religiosa dominante em toda a Europa, sempre encabeçada pela figura do Papa – o sucessor no trono do Apóstolo Pedro.
E em todos estes séculos que se passaram desde a sua consolidação, muitos foram os fatos que marcaram sua história.
Mas será mesmo que todos lembram dos principais fatos que marcaram sua existência?
O que se segue é uma compilação dos cem acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo.
Um abraço a todos!



Marcos históricos do Cristianismo:



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Index Librorum Prohibitorum

Para quem não sabe, o Index Librorum Prohibitorum era uma lista utilizada pela Igreja Católica Apostólica Romana que continha os títulos e autores considerados proibidos ao público, uma vez que supostamente continham ideias que iam contra a doutrina católica – ou seja, que iam diretamente contra a mais poderosa instituição político-religiosa da época.
Fonte muitíssimo valiosa, espero que aproveitem a leitura!
Um abraço!

Index Librorum Prohibitorum:




Codex Gigas - A "Bíblia do Diabo"

O Codex Gigas (também conhecido como a “Bíblia do Diabo”, devido à misteriosa figura do diabo presente na página 290 do mesmo) é um grande códice medieval datado do século XIII, pertencente a monges beneditinos da Bohemia, e que inclui a Vulgata Latina (com exceção do livro “Atos” e “Apocalipse”), além do livro “Etimologias”, de Isidoro de Sevilha; “Antiguidades Judaicas” e “Guerras dos Judeus”, de Flávio Josefo, além do livro de medicina padrão da Idade Média chamado “Ars medicinae”, dentre outros.
O fato é que embora muito tenha sido dito a respeito do livro (como a fantástica história do monge que seria murado vivo e que, para se livrar da pena, se propôs a escrever um livro numa única noite enaltecendo o mosteiro; no entanto, já perto da meia-noite e longe de terminar o trabalho, acaba o monge acaba vendendo sua alma ao diabo para que este termine o trabalho por ele, livrando-o da severa pena – daí a suposta explicação para a imagem do diabo em uma das páginas do livro), seu formato peculiar (92 centímetros de altura, 50 centímetros de largura e 22 centímetros de espessura, além de seus 75 kg básicos) bem como seu conteúdo o torna uma fonte historiográfica impressionante.



Pesquisando com maior afinco sobre o referido livro, encontrei na web o site da Biblioteca Nacional da Suécia, que contém informações imprescindíveis sobre o códice, além de digitalizações do mesmo.

Confiram!!!

Codex Gigas:

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Monoteísmo, Trindade e Teologia Política

Para dar continuidade aos estudos sobre Constantino e Nicéia (nos quais pautei meus estudos iniciais no curso de História), estou postando um arquivo muito bom que reúne informações valiosas para quem se interessa pelo tema. O autor do trabalho manda muito bem!
Ademais, aproveito o espaço para pedir a opinião de vocês sobre dois assuntos. Em primeiro lugar, possuo muitos livros apócrifos da Bíblia em PDF, e se houver interesse por parte de vocês, leitores, eu terei o imenso prazer de postá-los aqui no Diabo de Deus. Por isso comentem os posts, isso é muito importante para mim!!!
Sobre o segundo assunto: possuo grande facilidade em encontrar referências bibliográficas sobre os mais diversos temas. Portanto, caso estejam em apuros em busca de material para leituras acadêmicas, contem comigo!
E comentem aí! Fiz este blog para vocês!
Um abraço!

Monoteísmo, Trindade e Política:




domingo, 5 de agosto de 2012

Bíblia - Antigo e Novo Testamentos em PDF

Em plena era digital, nada melhor do que ter edições em PDF da Bíblia – o que facilita e muito a vida de quem tem interesse de ler ou mesmo estudar as Sagradas Escrituras.
Segue abaixo os links tanto para o Antigo quanto para o Novo Testamento:

Antigo Testamento:






Novo Testamento:



Popularização do Cristianismo e o Concílio de Nicéia

Muitos já devem ter se perguntado sobre a reviravolta cristã ocorrida no governo do imperador Constantino I, que ficara marcado na história como aquele que popularizaria a doutrina cristã, consolidando suas resoluções por meio do Concílio de Nicéia. O período abordado, que compreende de 311 a 325, fora marcado por profundas transformações político-religiosas que viriam a mudar a história do Império Romano, impulsionadas pela então recém “adotada” fé cristã do imperador, bem como pela liberdade de religião que viera a ser expressa nos editos de Galério, Licínio e Milão.
Agindo através de sua concepção de soberania, Constantino utilizou o concílio de Nicéia (325 d. C.) como forma de política pacificadora frente à heresia ariana, visto que a iminente possibilidade de um cisma entre arianos e antiarianos poderia desestruturar os alicerces de sua nova política religiosa com base nos princípios cristãos.
Sincretizando elementos da cultura pagã, como o culto ao Sol invictus através da transferência do dia do descanso do sabbath judeu para o domingo cristão (do inglês Sunday, “dia do sol”), além das claras referências às auréolas dos santos e dos anjos, o imperador sabiamente soube valer-se destes elementos para alavancar a popularidade do Cristianismo, enaltecendo a figura de Cristo ao que, por meio de editos promulgados, concedia a liberdade de culto à esmagadora maioria pagã – o que lhe concedia a dupla vantagem de popularizar a nova religião sem, com isso, romper de modo definitivo com a tradição pagã.
Construído à semelhança do símbolo da igreja de Cesaréia, e complementado através da concepção do homoousios (ou seja, a consubstancialidade entre os elementos da Santíssima Trindade), o Símbolo Niceno, embora outorgado como verdadeiro, a princípio não fora aceito como tal – o que é de suma importância no entendimento que, posteriormente, depreende-se dos futuros renascimentos do arianismo (que somente seria apaziguado através do advento do segundo concílio ecumênico, desta vez em Constantinopla, onde o símbolo fora reafirmado e definitivamente aceito como o símbolo niceno-constantinopolitano, o credo mais conhecido e importante de toda a história do Cristianismo).
Logo, o advento deste concílio fora fundamental para abrandar a primeira (e talvez mais forte) onda ariana, pois através dele Constantino Magno articulara seu poder imperial para evitar maiores conflitos entre as vertentes teológicas dentro da Igreja, pondo assim termo às dissensões cismáticas e possibilitando, desta forma, a continuidade do programa político de ascensão imperial através da nova religião.

Cânones de Nicéia: